quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As Aldeias

Eugénio Correia arquivo fotográfico.

Estas fotografias reportam à ruralidade do interior de Portugal, e foram registadas entre as décadas de sessenta e setenta do século xx. Tratam-se de provas e negativos de aldeias onde se pretendeu captar a arquitectura das casas, e, escolha minha, entre centenas de provas , aqui ou ali o surgimento, a aparição fugaz da figura humana.
Estas fotografias tiveram um propósito e um critério que ficaram marcadas nas próprias imagens, na recomposição gráficamente expressa a esferográfica e régua.
O propósito talvez fosse, como foi por vezes a publicação em livro,não o destas imagens, todas inéditas.
O critério,  olhar dirigido para a linguagem plástica e utilitária dos materiais  da pedra ao barro, das coberturas e alpendres, escadarias portas e janelas, todo um vocabulário duma arquitectura popular, hoje desaparecida.
Entre a emigração e a guerra colonial, deslocaram-se os homens para outras paragens e deixaram entregues as aldeias às mulheres e velhos, algumas crianças, este podia ser o enquadramento sociológico, de resto, em todo o espólio, as imagens de pessoas são raras, denunciando assim a intenção do fotógrafo.
Logo a leitura é minha, pelo menos hoje ao revê-las pela enésima vez.





domingo, 20 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Almadraba Atuneira, de António Campos, 1961

Vilarinho das Furnas, de António Campos, 1971

(ver, João Leal, Retratos do Povo  Antroplologia Portuguesa e Imagem )

"as aldeias"








A arquitectura rural das aldeias, e a utilização da imagem num registo de 1968. Antropologia visual já se vê...
Muito se pode dizer sobre os usos da fotografia como auxiliar nas monografias antropologicas portuguesas no século passado. A escola de Jorge e Margot Dias por exemplo, saõ das que mais perto de nós utilizaram sistemáticamente a fotografia no trabalho de campo. Isto não era hábito suceder na primeira metade do século, onde as imagens escasseavam e predominava o texto.
Estas fotos são muito proximas, do registo de Vilarinho das Furnas de Jorge Dias e Margot Dias, que foi pioneiro no olhar etnografico anti SNI, de António Ferro e do Estado Novo.
Anos sessenta década da imigração em massa e da guerra colonial, que contribuiram para a desertificação das aldeias do interior de Portugal. A extinção definitiva do mundo rural, muito longe da visão edílica do folclore oficial, que havia de desembocar herdeiro, no turismo dos nossos dias.